Um novo olhar sobre os procedimentos bariátricos e os transtornos alimentares

Cultuar um corpo perfeito é muito perigoso, principalmente para mulheres jovens. Indivíduos desse gênero e faixa-etária estão na zona mais afetada pelos Transtornos Alimentares (TA). Esses transtornos são perturbações nos comportamentos alimentares e caracterizados por sua severidade. Os TA’s são extremamente prejudiciais à saúde, seja ela mental ou física, podendo levar à morte em muitos casos, além de estimular uma vida mórbida e sem perspectivas. 

Com o advento das redes sociais e do consumo desenfreado, os jovens são expostos à busca pela estética perfeita acima de tudo. Almeja-se o corpo perfeito e a vida mais feliz, mas os meios de conduzir a esse caminho estão com seus valores invertidos e para as pessoas do mundo atual, é tudo ou nada. As pessoas passaram a buscar o que muitas vezes não as pertence, o corpo do outro, a felicidade do outro. Se o indivíduo não atinge aquilo que é esperado do grande padrão da sociedade, ele sofre e busca meios deturpados para alcançar o inalcançável. 

Se por um lado a obesidade diminui a qualidade de vida e aumenta a possibilidade de doenças associadas a ela, por outro os transtornos alimentares são igualmente prejudiciais por conta da cobrança pela imagem corporal perfeita. Pessoas obesas podem sofrer, mas as que se afligem de que precisam emagrecer a todo custo, passam a sofrer ainda mais por não se aceitarem ou por estarem expostas a padrões inalcançáveis. 

Um dos transtornos alimentares mais comuns é a Compulsão Alimentar Periódica, que é a perda de controle sobre o que ou o quanto se come. Não há pensamento compensatório e as atividades físicas são inexistentes. Esse transtorno é hoje um dos maiores causadores da obesidade precoce e de maior gravidade. A causa desse tipo de compulsão pode estar associada com o modo com que a pessoa se enxerga: ela sabe que está acima do peso, mas por não conseguir mudar seu comportamento, acaba se frustrando e descontando tudo na alimentação desenfreada. O perigo mora nessa visão distorcida de que o corpo perfeito deve seguir um certo padrão. 

Há dificuldades em obter bons resultados nos tratamentos de redução de pesos e medidas e é por isso, que os procedimentos bariátricos estão sendo tão difundidos. Mas sem o acompanhamento nutricional e psicológico no pré ou pós-operatório dos procedimentos bariátricos, o indivíduo continua com seus transtornos ativos, tendo comportamentos compensatórios distorcidos e medo incessante de novo ganho de peso. Esse é o motivo do acompanhamento próximo de profissionais da área. 

Há dados que informam que o paciente do pós-operatório dos procedimentos bariátricos pode trocar a alimentação compulsiva por outro tipo de vício, como o álcool, por  exemplo. Nos 12 primeiros meses de pós-operatório observou-se uma média de 2% de aumento no consumo de álcool, que é hipercalórico e promove saciedade. Mas o álcool, além de fazer mal para diversas partes do corpo, ainda afeta o emagrecimento mesmo depois da bariátrica. 

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Referências:

Petra Paim Ehrenbrink, Elzimas E. Peixoto Pinto, Fernanda Loureiro Prando / Psicologia Hospitalar, 2009; 88-105.

King WC, Chen JY, Mitchell JE, Kalarchian MA, Steffen KJ, Engel SG et al. Prevalence of alcohol use disorders before and after bariatric surgery. JAMA. 2012; 307(23): 2516-25.

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