Obesidade e cirurgia Bariátrica

Considera-se este assunto tão pouco conhecido de fato, porém muito discutido entre os profissionais. Mas antes, vamos entender o que nos leva a tomar essa importante decisão!

A obesidade é uma doença crônica que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e inclui 60% dos brasileiros que estão acima do peso, de acordo com dados divulgados pelo IBGE em 2015. Para que o paciente obeso possa ser tratado ou, antes disso, para que a obesidade, ou mesmo o sobrepeso, possam ser prevenidos, o estado do peso do paciente precisa ser reconhecido. A interação com o profissional especialista deve avaliar a condição do peso do paciente para determinar a presença de excesso de peso ou obesidade e a necessidade de aprofundar a avaliação e o tratamento.

Durante a consulta de um paciente que apresente sobrepeso ou obesidade, é fundamental

avaliar as causas que levaram ao excesso de peso, bem como investigar possíveis morbidades associadas. A etiologia da obesidade é complexa e multifatorial, resultando da interação de genes, ambiente, estilos de vida e fatores emocionais. Por isso, é indispensável o acolhimento e a escuta ao paciente, pois as mudanças de estilo de vida e as técnicas cognitivo-comportamentais são fundamentais para um atendimento de qualidade.

Além disso, no Brasil a cirurgia bariátrica cresceu 47% nos últimos 5 anos, segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Paralelo a essas tristes estatísticas, sabe-se que filhos de pais que mantêm hábitos alimentares saudáveis tem 75% menos chances de se tornarem obesos.

Portanto, os procedimentos bariátricos devem ser vistos sem preconceitos, mas sim como uma forma de tratamento da obesidade, porém a avaliação deve ser criteriosa e acompanhada se possível de uma equipe multidisciplinar para que este procedimento seja fundamental ao seu objetivo, através de um conjunto de condutas e cuidados a fim de se otimizar a segurança e os resultados da cirurgia.

Mas eis a questão: Todas as pessoas podem realizar a cirurgia quando quiserem? NÃO! 

Existem alguns critérios que devem ser acompanhados de perto pela equipe médica, e a indicação deve seguir as diretrizes gerais segundo o Ministério da Saúde (Portaria nº 425), respeitando IMC, idade e patologias associadas.

Além dos benefícios aparentes da perda de peso e controle das comorbidades, há também alguns riscos e consequências da operação como deficiências nutricionais, distúrbios gastrointestinais e intolerâncias alimentares. Alguns dados ainda apontam que mais da metade dos pacientes podem recuperar de 20 a 50% do peso perdido em 10 anos (European Journal of Endocrinology, 2011) devido aumento da ingestão calórica durante pela dilatação da bolsa gástrica, à inatividade física e às alterações hormonais.

A longo prazo, o método, a velocidade de perda de peso, o ajuste fisiológico e a habilidade de manter as mudanças comportamentais de dieta e atividade física são o que determinarão o sucesso de qualquer processo de emagrecimento.

A cirurgia bariátrica não é a cura dos seus problemas, e deve ser olhada com cuidado por toda a vida!

👉 Mas lembre-se: Prevenir, é melhor que remediar!

👉 Coloque sua saúde nas mãos do profissional certo!

👉 Cuide-se, valorize-se!

Referências:

European Journal of Endocrinology, 2011

Diretrizes Brasileiras de Obesidade, 2016; ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica)

Ministério da Saúde (Portaria nº 425)

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